Agredidas em casa

Algumas mulheres suportam violência física ao longo da vida sem nunca tomarem uma atitude séria em relação a isso. Dias atrás vi no facebook um vídeo de uma mulher que havia sido agredida durante uma hora na frente da casa de sua amiga, para onde fugiu depois de anos de violência doméstica. Nesse vídeo ela aparece com um olho muito inchado e escuro e com seus braços cheios hematomas.

 

Algumas perguntas me parecem naturais nesse caso: Será que ela nunca percebeu o perigo? Será que depois da primeira atitude violenta do homem ela realmente pensou que isso nunca mais iria acontecer? Ela realmente acreditou que um dia ele iria mudar?

 

Tenho certeza de que antes dessa mulher ser espancada durante uma hora na rua ela suportou dentro de casa muitos “tapinhas”, “apertõezinhos”, “empurrõezinhos” e “soquinhos”. Antes do olho dela ficar roxo, outras partes mais escondidas do seu corpo mostraram o perigo iminente que ela estava correndo.

 

Não creio que essa mulher do vídeo seja cristã, e muito menos que o homem que a espancou o seja. Mas, imaginemos que uma mulher cristã esteja em uma situação semelhante. Vamos imaginar que uma mulher cristã tenha sido agredida diversas vezes durante anos até o dia em que foi espancada. O que ela deve fazer? Será que o voto matrimonial de permanecer casada até que a morte os separe é válido em uma situação como essa? Não seria a violência doméstica um motivo para o divórcio?

 

Jesus diz claramente: “quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério” (Mt 19.9). Presumo que o inverso também seja verdadeiro, isto é, que a mulher não deve se separar do homem por outro motivo qualquer a não ser relações sexuais ilícitas.

 

Parece que a Palavra de Deus não autoriza uma mulher a se divorciar de seu marido por motivo de violência doméstica. Mas, então, o que ela deve fazer? Creio que o Salmo 7 seja um modelo de oração e comportamento para uma mulher piedosa que esteja sendo agredida.

 

A mulher cristã agredida busca refúgio em Deus (Sl 7.1); pede socorro a Deus (Sl 7.1-2); anda em retidão diante de Deus (Sl 7.3-5); pede que Deus mostre indignação e julgue seu caso (Sl 7.6-8); declara sua inteira confiança na justiça de Deus (Sl 7.9-11); afirma sua certeza de que o homem violento que não se converter será destruído (Sl 7.12-16); rende graças e canta louvores a Deus (Sl 7.17). Tudo isso é essencial, mas não é tudo.

 

Mulher cristã, se você estiver sendo agredida fisicamente, continue lendo. Talvez você tenha tido oportunidade de perceber o perigo da violência do seu marido em tempo, mas preferiu acreditar que ele iria mudar. Talvez você esteja orando pela conversão dele, pela restauração do casamento e continua suportando silenciosamente agressões até hoje, sem ver nenhum indício de mudança.

 

Diante disso, não deixe de crer no poder de Deus, recorra a ele, confie nele, abrace a Cristo com todo o amor da sua alma, ore por seu marido, mas preste atenção: talvez ele não mude nunca, e sua vida continuará em risco. Não se iluda. Buscar refúgio em Deus, pedir socorro a Deus, confiar na justiça de Deus, etc., NÃO significa que você deve sofrer agressões físicas sem tomar uma atitude!

 

Confiar inteiramente em Deus e refugiar-se nele, neste caso, significa justamente denunciar seu marido. Se ele for membro de uma igreja, denuncie-o primeiramente à liderança da igreja, para que seja advertido e disciplinado com amor cristão, visando sua restauração (Gl 6.1; 1Co 5.9-13; Mt 18.15-17). Mas se isso não acontecer (ou por falha da igreja, ou por rebeldia do seu marido) denuncie-o à Polícia e peça abrigo a pessoas que possam acolher você com seus filhos, se os tiver (Pv 22.3). No caso do seu marido não ser membro de nenhuma igreja, denuncie-o diretamente à Polícia e abrigue-se com pessoas que lhe ofereçam segurança e recursos necessários à sua subsistência.

 

Não continue sendo agredida com a falsa impressão de que isso é submeter a Deus. Se você não denuncia seu marido porque está com medo dele, significa justamente que você não está confiando em Deus (2Tm 1.7). Denuncie-o, pois essa é a maior evidência de confiança em Deus. Se você sofrer algum tipo de retaliação depois de denunciá-lo, creia que “se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal” (1Pe 3.17).

 

Davi escreveu: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar”. (Sl 41.9). Se você está sendo traída e agredida, faça como Davi, denuncie-o, abra sua boca e fale com sabedoria às pessoas corretas o que faz o seu agressor. Faça isso confiando que Deus agirá com justiça.

 

Pr. Nathan F. França

06 de junho de 2017

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